A fintech FictorPay foi alvo de um ataque cibernético que resultou no desvio de aproximadamente R$ 26 milhões em movimentações não autorizadas via Pix.
O que aconteceu
A ação criminosa envolveu cerca de 282 transações realizadas por meio de Pix para aproximadamente 270-280 contas “laranja”, distribuídas entre mais de 30 instituições financeiras e fintechs.
O ataque aparentemente não foi diretamente à infraestrutura da FictorPay, mas sim a uma prestadora de serviços (empresa de software white-label) que trabalhava para a fintech. Essa vulnerabilidade permitiu o acesso aos sistemas de parceiro e facilitação das transferências.
Por que isso é relevante
- O incidente evidencia que os riscos para o setor financeiro moderno não se limitam aos bancos tradicionais, mas se estendem às fintechs e aos provedores de tecnologia associados.
- A utilização do Pix torna o golpe ainda mais ágil, com liquidação instantânea, o que dificulta o bloqueio a tempo das operações.
- Reguladores como o Banco Central do Brasil (BC) já vinham estudando regras mais rígidas para transações via Pix e provedores de serviços de tecnologia, e esse caso reforça essa urgência.
Impactos para fintechs e usuários
Para as fintechs, o alerta é claro: não basta apenas proteger os seus próprios sistemas-seu ecossistema de fornecedores e parceiros precisa de controle rigoroso. Para os usuários finais, vale ficar atento a movimentações incomuns na conta, especialmente em instituições menores ou que operam via “bank as a service” (BaaS).
O que fazer para mitigar riscos
- Mapear a cadeia de fornecedores — conhecer todas as empresas que têm acesso às suas credenciais e dados, e exigir auditorias regulares.
- Implementar autenticação forte e segmentação de acesso para sistemas críticos, inclusive para parceiros terceirizados.
- Monitorar transações atípicas em tempo real, com alertas para volumes e padrões fora do padrão; e bloquear imediatamente quando algo suspeito for detectado.
- Treinar colaboradores e parceiros para reconhecerem phishing, engenharia social e outros vetores de ataque que frequentemente precedem invasões.
- Comunicar e responder rápido, quando uma infração ocorrer, agir de forma transparente com clientes, regulador e mercado, o que ajuda a mitigar danos à reputação.
O episódio da FictorPay serve como um wake-up call para o ecossistema de pagamentos no Brasil: à medida que a inovação avança e mais provedores entram no jogo, os controles de segurança precisam evoluir na mesma velocidade. A confiança do usuário e a integridade dos sistemas financeiros dependem disso.
Fonte: Techtudo